ORIGEM E EVOLUÇÃO
Os manuais de
Medicina Legal que citam Entomologia Forense referem-se a sua primeira aplicação como ocorrida em 1235, na China, baseados em um manual
chinês, escrito por Sung Tz’u,
intitulado “The washing away of wrongs”.
Nesse livro ele citou um caso de um
homicídio perpetrado com uso de instrumento de ação cortante, cujos
investigadores, na busca de vestígios na
vizinhança, localizaram uma foice em torno da qual sobrevoavam moscas,
possivelmente, atraídas pelos odores exalados pelos restos de substâncias
orgânicas ali aderidas e imperceptíveis a olho nu. Em vista disso, o
proprietário da foice foi interrogado pela polícia, levando-o a confessar a
autoria do crime (apud McKnight,
1981). Contudo, a literatura especializada em entomologia atribui a primeira
utilização dessa ciência a Bergeret, em 1855, na França, pois ele foi o primeiro a utilizar, conscientemente, insetos
como indicadores forenses. Neste caso foi encontrado o corpo de uma criança
oculto no piso, coberto por uma capa de
gesso, no interior de uma residência. Ele indicou um intervalo post mortem extenso através da associação da fauna encontrada com o estágio
de decomposição do cadáver, e como os moradores
residiam no imóvel há poucos meses, as investigações e suspeitas
dirigiram-se aos habitantes anteriores da casa.
Essa ciência, porém, só se tornou mundialmente conhecida
após 1894, com o célebre trabalho de Mégnin o qual publicou, na França, o livro
“La faune des cadavres”. Nesse livro, ele divide os insetos que visitam os
cadáveres em oito legiões distintas, que se sucedem de modo previsível no
processo de decomposição, com duração de cerca de três anos. Essas legiões são,
ainda hoje, muito divulgadas em livros
de Medicina Legal, porém, apesar deste trabalho ter sido um marco genial na
história dessa ciência e uma grande descoberta quanto ao padrão de sucessão de
insetos europeu, esses dados não podem ser aplicados no Brasil. Nosso clima
tropical conduz a um processo de decomposição muito mais veloz do que o europeu,
além de que algumas das espécies verificadas aqui não ocorrem em países de
clima temperado.
No início
do século, alguns pesquisadores brasileiros realizaram pesquisas nesta área e apesar de obterem bons resultados enfrentaram uma
série de dificuldades devido à carência de dados taxonômicos, biológicos e
técnicos. Entre eles podem ser citados Roquete-Pinto (1908) e Oscar
Freire (1914 até 1923). Depois desses trabalhos o assunto ficou esquecido
durante anos no Brasil, a despeito do seu desenvolvimento mundial.