GRAU DIA ACUMULADO
Os
dados de desenvolvimento (tempo e temperatura) das espécies envolvidas, desde a deposição dos ovos até a mosca
adulta, em temperatura similar ou próxima àquela encontrada no local da morte,
devem ser obtidos da literatura, e então
calculado o grau-dia (GDA) ou grau-hora (GHA) (HIGLEY & PETERSEN, 1994).
Como, geralmente, as temperaturas horárias não estão disponíveis, os dados são
limitados à temperatura diária máxima e
mínima obrigando a utilização do GDA. A
média da temperatura diária é obtida pela soma do máximo e mínimo e o resultado
é dividido por dois. Conseqüentemente, as estimativas limitam-se ao grau-dia. O
calor metabólico gerado pela massa de larvas pode ser suficiente para aumentar
a temperatura da massa bem acima da temperatura do ambiente (CATTS & GOFF,
1992). Portanto, é importante considerar a temperatura da massa de larvas,
principalmente, para os últimos ínstars larvais.
É
aconselhável utilizar a temperatura de acordo com o estágio de desenvolvimento
coletado: a temperatura ambiente deve ser usada para determinar o
desenvolvimento em imaturos nos primeiros estágios de desenvolvimento, a
temperatura da massa de larvas para os últimos ínstars e temperatura do solo
para pupas.
O
GDA é o um conceito de tempo e temperatura, como a idade dos espécimes coincide essencialmente
com o calor acumulado durante o seu desenvolvimento, este conceito pode ser
usado para estimativa de IPM. O cálculo
usado para GDA deve ser baseado em uma técnica denominada “método do
retângulo”, descrita por ARNOLD (1960)
como a medida da área. A área a ser medida é limitada pelas linhas marcadas no
início e fim do período de um dia, a base do limiar de temperatura e a curva de
temperatura (Figura 1).
Figura 1 – área
do retângulo (HIGLEY & HASKELL, op.
cit.)
É
essencial a soma de dois parâmetros (o limiar inferior e superior) na
determinação, o limiar inferior é a temperatura mais baixa na qual o
desenvolvimento pára e o limiar superior é dado como a temperatura na qual a
velocidade de desenvolvimento começa a diminuir (WILSON & BARNETT, 1983). O
cálculo do calor acumulado é feito pela diferença entre a temperatura ambiental
(máxima e mínima) e o limiar inferior, vezes os dias de desenvolvimento.
Os
autores HASKELL & HIGLEY (op. cit.) descrevem o limiar mínimo
entre 6º C para regiões temperadas e 10º C para regiões tropicais em relação a
moscas de importância forense, esses valores foram baseados em observações
pessoais de Haskell, no desenvolvimento mínimo de algumas espécies e alguns
dados da literatura. Porém, o ideal é que pesquisas sobre a biologia das
espécies de interesse forense sejam feitas e o limiar mínimo específico para
cada uma delas seja calculado.
Para
estimar o tempo de oviposição e, conseqüentemente o IPM mínimo, é importante
usar o cálculo para trás, desde o último estágio de desenvolvimento coletado
até o tempo de oviposição (HASKELL & HIGLEY, ibid.). Portanto, o GDA calculado para o valor obtido da literatura
e para o estágio coletado (ovo, larva ou pupa) é utilizado para ser deduzido de
cada grau-dia calculado para o local,
até que se alcance o início (postura dos ovos), que é verificado quando
o valor do grau-dia acumulado é igual ou menor ao grau-dia para o dia
considerado. As equações e metodologia de cálculo são melhor descritas no livro
(OLIVEIRA-COSTA, 2003).