APLICAÇÕES



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Conhecimentos entomológicos podem ser utilizados para
revelar o modo e a localização da morte
do indivíduo, bem como mais freqüentemente,
estimar o tempo de morte (intervalo
post mortem - IPM).
Baseado na distribuição
geográfica, habitat natural e biologia das espécies coletadas na cena da morte,
é possível verificar o local onde a morte ocorreu. Por exemplo, certas espécies
de dípteros da família Calliphoridae são encontradas em centros urbanos. E, em vista disso, a associação dessas
espécies a corpos encontrados em meio rural sugere que a vítima tenha sido
morta no centro e levada para o ponto onde foi encontrada.
2. 2.
Modo da morte
Drogas e tóxicos presentes nos corpos afetam
a velocidade do desenvolvimento de insetos necrófagos. Cocaína, heroína,
“metanfetamina”, “amitriptilina” e outros metabólitos têm mostrado efeitos no
desenvolvimento das larvas e da decomposição, podendo indicar um caso de morte
por ingestão de dose letal dessas substâncias (“over dose”) (Goff et al 1989, 1991, 1992, 1993). Podendo, também, a presença de certas
substâncias, como o arseniato de chumbo
e o carbamato, impedir a colonização do cadáver por certos insetos necrófagos (Leclerq & Vaillant, 1992 ;
Oliveira-Costa, 2000).
Na medicina legal uma das questões mais críticas reside
em "Quando a morte se deu?" A determinação do intervalo post
mortem é, freqüentemente dada por patologistas e antropólogos forenses e,
raramente um entomólogo é consultado (Schoenly et al, 1991). Circunstâncias intrínsecas e extrínsecas fazem
variar a marcha e a fisionomia particular dos fenômenos putrefativos. Desta
forma, não se pode imaginar problema de mais difícil solução e que exija maior
reserva dos peritos do que a cronologia da morte. Para responder a esse
quesito, os Peritos podem se valer da evolução da rigidez cadavérica,
resfriamento do corpo, livores cadavéricos, evolução das fases de decomposição
e, mais recentemente, da fauna cadavérica. Normalmente, nos métodos
tradicionais, o IPM e a sua estimativa são inversamente proporcionais, isto é,
quanto maior for o IPM, menor é a possibilidade de acurada determinação. Porém,
com auxílio de conhecimentos entomológicos, quanto maior o intervalo mais
segura é a estimativa (Goff & Odom, 1987). O método entomológico pode ser muito útil, sobretudo, com um tempo de
morte superior a 3 dias (Catts & Haskell, 1991). Das técnicas de
cronotanatognose como relatório policial, necropsia, e entomológica,
estatisticamente, a entomológica é a mais eficiente (Kashyap & Pilay,
1989).
Outras aplicações
1. 1.
Entorpecentes
Identificar a origem da Cannabis sativa (maconha),
com base na identificação dos insetos acompanhantes da droga que, no
momento da prensagem do vegetal, ficaram ali retidos, traçando a rota do
tráfico através da distribuição geográfica dos mesmos (Crosby et al. 1985).
2.
2.
Maus tratos
A ciência pode, ainda, ser
utilizada em casos de maus tratos a crianças.
É possível precisar o número de dias, durante os quais, o bebê foi
privado de cuidados de higiene baseando-se na determinação da idade das larvas
de moscas achadas nos cueiros e camas. (Lord & Rodriguez, 1989; Goff et
al, 1991).